terça-feira, 23 de junho de 2026

 

Política e Religião no Brasil e em Portugal: o que a história tem a nos ensinar

Da simbiose histórica entre altar e poder ao clientelismo que esvazia as eleições — uma leitura filosófica e contemporânea

Quando Pedro Álvares Cabral fincou a cruz na praia de Porto Seguro, em abril de 1500, não estava apenas rezando, mas tomando posse. A cruz e a espada chegaram juntas ao Novo Mundo, e, desde então, no Brasil e em Portugal, a relação entre o poder político e o poder religioso nunca foi simples e inocente, e raramente foi honesta.

Cinco séculos depois, nos deparamos com o mesmo questionamento: a fé serve para libertar as pessoas ou para mantê-las em ordem? E quando a resposta é a segunda opção, o que resta da fé?

Escrevo isto não como anticlerical ou inimigo das igrejas, mas sim como jornalista que tem acompanhado de perto, nos últimos anos, o funcionamento interno de algumas denominações protestantes em Portugal e no Brasil, e que reconhece, naquilo que observa, padrões que a história já descreveu com precisão e que os filósofos já diagnosticaram com antecedência.

O altar e o trono: uma aliança tão velha quanto o poder

Portugal e Brasil nasceram como projetos simultaneamente políticos e religiosos. O Padroado — o sistema pelo qual a Coroa portuguesa detinha o direito de nomear bispos e controlar a Igreja nos territórios sob sua influência — foi talvez o mais sofisticado instrumento de fusão entre poder civil e poder religioso que o Ocidente moderno conheceu. O rei rezava, mas também mandava. O bispo obedecia a Roma, mas também a Lisboa.

No Brasil imperial, D. Pedro II herdou esse modelo e aperfeiçoou-o. O Padroado brasileiro deu ao imperador o controlo efetivo sobre a Igreja Católica nacional, incluindo o direito de vetar bulas papais. A religião era, na prática, um departamento do Estado. E o Estado, por sua vez, legitimava-se na religião.

A República proclamada em 1889 separou formalmente os dois poderes. Mas a separação formal nunca foi separação real. No século XX, o Estado Novo de Getúlio Vargas e, depois, a ditadura militar (1964–1985) souberam usar a linguagem religiosa quando lhes convinha, e silenciar os religiosos que discordavam quando não convinha.

Em Portugal, Salazar foi ainda mais explícito: o regime do Estado Novo (1933–1974) tinha na Igreja Católica um dos seus pilares de legitimação, e a Concordata de 1940 entre o governo português e o Vaticano formalizou essa aliança.

A democracia chegou aos dois países (1974 em Portugal — 1985 no Brasil), e separou, desta vez com mais seriedade, o Estado da Igreja. Mas a lógica da aliança entre poder e religião não desapareceu. Mudou de endereço.

O que os filósofos disseram e o que continuamos a ignorar

Aristóteles, no século IV, antes de Cristo, identificou aquilo que chamou de degeneração dos regimes. Para ele, todo sistema político tende a corromper-se quando quem governa passa a servir os seus próprios interesses em vez do bem comum. A tirania não é apenas o governo do mais forte; é o governo daquele que se tornou indispensável; que convenceu os outros de que sem ele tudo desmorona.

Há uma frase de Montesquieu, escrita em 1748, que nunca envelheceu: "Para que não se possa abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder." Montesquieu não estava falando apenas de Estados, mas sim de qualquer instituição humana, incluindo as religiosas. Quando não há separação de poderes e instância independente de fiscalização, o abuso não é uma possibilidade, e sim uma tendência natural.

Tocqueville, ao estudar a democracia americana no século XIX, fez uma observação que muitos leram, mas poucos aplicaram: a religião é mais forte, mais respeitada e mais útil à sociedade quando está separada do poder do que quando está fundida com ele. A religião que depende do Estado para sobreviver perde a sua independência moral. A religião que controla o Estado perde a sua credibilidade espiritual. Em ambos os casos, quem perde é a sociedade.

Hannah Arendt, no século XX, foi mais longe. Ao analisar as origens do totalitarismo, mostrou que os regimes que eliminam o dissenso e a pluralidade não começam necessariamente com tanques nas ruas. Começam com a destruição silenciosa dos espaços onde as pessoas podem discordar, questionar e propor alternativas. Começam quando uma ideologia, política, religiosa ou ambas, passa a tratar o dissenso como rebeldia contra o sistema.

Karl Popper chamou a isso de "sociedade fechada". E a sua definição é simples: uma sociedade fechada é aquela que não tolera a crítica, não permite a revisão das suas premissas e não aceita a alternância de quem a dirige. Para Popper, a diferença entre uma democracia e uma tirania não está na existência de eleições, mas sim na qualidade dessas eleições. Uma eleição que não pode ser perdida não é uma eleição. É uma cerimónia.

Um olhar para a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e para a Igreja Cristã Presbiteriana de Portugal (ICPP) e seus representantes máximos

O clientelismo eclesiástico funciona de forma muito semelhante ao clientelismo político que os brasileiros conhecem bem: quem está no poder nomeia aliados para posições estratégicas, distribui recursos e cargos de forma a criar redes de dependência e lealdade, e usa essas redes para garantir que os resultados eleitorais confirmem o que já estava decidido. Quando alguém ousa questionar, é isolado. Quando alguém apresenta uma candidatura alternativa, encontra o caminho bloqueado por procedimentos regimentais que, curiosamente, sempre favorecem quem já está no poder.

Nesse ponto, e em linha com a investigação que tenho promovido desde 2025, a partir da observação do relacionamento entre a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), sua Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) e a Igreja Cristã Presbiteriana de Portugal (ICPP), observo a infeliz coincidência na cúpula do sistema, com as mesmas pessoas figurando por anos a fio como representantes máximas das instituições (IPB e ICPP), e ainda a se orgulharem de tal fato, sem perceberem os malefícios daí decorrentes para o amadurecimento e o aperfeiçoamento institucional.

O problema não é a ausência formal de eleições, mas sim o que acontece antes, durante e depois delas. Não é preciso fraudar uma eleição para esvaziá-la. Basta controlar quem pode votar, quem pode ser votado, quem conta os votos e quem interpreta o regimento quando há dúvidas. Basta que os delegados que chegam à assembleia geral sejam, na sua maioria, pastores e presbíteros sem formação ou sem a consciência de seu real papel no sistema.

É exatamente isso que Popper descreveu. E é exatamente isso que se observa, com variações de escala e de estilo, tanto na IPB quanto na ICPP.

O equívoco que a história já documentou

A história não falta em exemplos do que acontece quando esta lógica se instala e não é corrigida.

No Brasil, o modelo do coronelismo político, estudado por Victor Nunes Leal no seu clássico Coronelismo, Enxada e Voto (1948), descreve com precisão o mecanismo: o coronel não precisa ser ditador. Basta que controle os recursos, as nomeações e as lealdades. As eleições acontecem. Mas o resultado é sempre o mesmo.

Em Portugal, a memória do salazarismo ainda é recente o suficiente para que se reconheça o padrão: um regime que durou quarenta anos não porque fosse amado, mas porque tinha construído uma rede de dependências tão densa que a maioria das pessoas considerava mais seguro não arriscar. A alternância foi adiada até se tornar impossível, e quando finalmente chegou, em 1974, chegou pela força, não pela urna.

O que une estes exemplos históricos ao que se passa hoje em certas estruturas eclesiásticas não é a escala, mas sim a lógica. E a lógica é sempre a mesma: o poder que não se renova apodrece. E quando apodrece, contamina tudo à sua volta.

O que a história tem a nos ensinar

A história ensina que nenhum poder, civil ou religioso, resiste indefinidamente sem alternância efetiva. Ensina ainda que a alternância não é uma concessão generosa dos que estão no poder, mas uma condição estrutural da saúde de qualquer instituição.

Quando não existe alternância, não é porque as pessoas são más, mas porque o sistema foi desenhado para que não exista.

A religião é mais forte quando serve as pessoas do que quando serve o poder. E quando serve o poder, acaba por perder as pessoas.

Acima de tudo, a história ensina que os mecanismos de captura do poder são surpreendentemente parecidos, independentemente da época, do país ou da instituição.

O clientelismo eclesiástico do século XXI não é muito diferente do clientelismo político que Aristóteles descreveu há dois mil e quatrocentos anos. Mudaram os nomes, os títulos e as roupas. A lógica é a mesma.

A pergunta que fica para o leitor, os membros das igrejas e os doadores que financiam estas estruturas é a que Karl Popper formulou com a clareza que só os grandes pensadores conseguem: a instituição à qual pertenço tolera a crítica? Permite a alternância?

Se a resposta for negativa, é fácil antever o que vem a seguir.

Nota do autor: Este artigo é o terceiro de uma série sobre o funcionamento das estruturas de poder eclesiástico presbiteriano em Portugal e no Brasil. Os dois artigos anteriores — "Mamata Transcultural Missionária" e "Abuso Espiritual e Religioso em Igrejas Presbiterianas em Portugal" — documentam casos concretos que ilustram os padrões aqui descritos.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

 

Abuso Espiritual e Religioso em Igrejas Presbiterianas em Portugal

Silêncio complacente da APMT e vergonha para a IPB

No artigo anterior, mostrei como um pastor-missionário oriundo da Igreja Presbiteriana do Pina, em Recife, chamado Alan Carlos Gomes Moreira, tem agido em relação à gestão de recursos financeiros dos fiéis, na Igreja Cristã Presbiteriana da Luz, em Lisboa, e colocado os interesses pessoais e do grupo político que ele integra à frente dos próprios votos como ministro do evangelho.

O grupo político em questão é composto majoritariamente por pastores-missionários brasileiros, que em comum têm o fato de serem sustentados em terras portuguesas por "igrejas parceiras" brasileiras, com base em projetos pessoais "abençoados" pela Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT). Fazem parte da turma os pastores Antonio Xavier da Silva, Celso Dias Alves e Wanderson Matheus dos Santos, dentre outros, que formam uma espécie de tropa de choque do grupo, e têm em comum ainda a idolatria ao líder máximo da Igreja Cristã Presbiteriana de Portugal (ICPP)Manuel Luzia ("ave César") —, entidade que no país português equivale ao que a IPB representa no Brasil, ou seja, a cúpula do "sistema" presbiteriano.

Como lastro da parceria entre a IPB/APMT e a ICPP, há um convênio que já dura 23 anos, e que tem sugado muito, mas muito, muito mesmo, dinheiro das "igrejas parceiras" brasileiras, via chancela da APMT.

O Presidente da APMT, inclusive, "reverendo" Amauri Oliveira, assim como o Presidente da própria IPB, "reverendo" Roberto Brasileiro ("ave César") estiveram em Portugal nos meses de fevereiro e março de 2026, como "convidados de honra" da ICPP, ao que se sabe com as despesas pagas pela IPB, pois a ICPP não teria condições financeiras de bancar tais despesas.

A partir deste artigo, começarei a detalhar sucessivos episódios de abuso espiritual e religioso ocorridos na ICPP, sob a mão de ferro do seu "czar" Manuel Luzia ("ave César"), com o apoio incondicional dos aliados pastores-missionários da APMT, e o silêncio cúmplice dos demais integrantes do Presbitério, de cujas igrejas saem a maior parte dos recursos que financiam o "sistema", mais especificamente dízimos e ofertas, sendo as principais a Igreja Presbiteriana Pedras Vivas, na cidade do Porto, e a Primeira Igreja Cristã Presbiteriana de Braga, na cidade de Braga.

Muitos desses episódios de abuso espiritual e religioso estão disponíveis na internet ou são conhecidos na rede de Igrejas da ICPP.

Vamos ao caso deste artigo, segundo o relato das próprias vítimas, disponível no site https://www.icpbraga.pt/historia:

A Igreja Presbiteriana de Braga

Início do trabalho em Braga

A Igreja Presbiteriana de Braga — sendo a primeira igreja presbiteriana e reformada na cidade e Distrito de Braga, região do Minho — é o resultado do trabalho iniciado pela família Almeida em sua residência no ano de 2016.

Após cinco anos vivendo em Braga e tendo constatado a ausência de uma igreja reformada e confessional no Distrito, a família Almeida deu início ao trabalho de implantação de uma igreja de confissão presbiteriana no dia 15 de janeiro de 2017, ainda em sua residência, na freguesia de Lamaçães. O objetivo era estabelecer uma igreja local, com futura vinculação a uma denominação presbiteriana histórica e confessional.

O Sr. Almeida iniciou as pregações, expondo a carta de Paulo aos Efésios, alternando com o pastor Alexandre Martins, que pregava no livro do profeta Malaquias.

Filiação à ICPP

Inicialmente participavam das reuniões regularmente as famílias Almeida e Martins e, ocasionalmente, visitantes. Após um ano e três meses, as duas famílias tornaram-se membros da Igreja Cristã Presbiteriana Manancial de Paços de Ferreira (ICPMPF), e o ponto de pregação em Braga passou a estar oficialmente filiado à Igreja Cristã Presbiteriana de Portugal (ICPP).

A partir do dia 11 de março de 2018, os cultos foram realizados na sala 28 da Rua de Caires, 328, em Maximinos, Braga. Naquele dia, a Palavra de Deus foi pregada em Efésios 2:1-2 pelo irmão Heraldo Almeida, que continuou designado pelo Conselho da ICPMPF como evangelista e pregador responsável pela congregação.

Desligamento da ICPP

No ano em que a Congregação de Braga completaria quatro anos de existência, e mesmo tendo histórico de elogios do Conselho da ICPMPF pelo trabalho fiel e próspero realizado, um fato inesperado e inusitado ocorreu.

No dia 6 de janeiro de 2022, a Assembleia Geral da ICPP decidiu, de forma sumária e arbitrária, desvincular a Igreja Cristã Presbiteriana de Braga (ICPB) da denominação. A comunicação oficial foi feita por e-mail, no dia 10 de janeiro, através do Conselho da ICPMPF.

A decisão ocorreu após a congregação de Braga ouvir, por meio de representantes fiéis, o missionário indicado para assumir o pastorado local. Ao perceberem inclinações pentecostais, desconhecimento do princípio regulador do culto e abertura à pregação por mulheres, e preocupados com o desvio dos princípios bíblicos e confessionais, os membros manifestaram preocupação com o desalinhamento à doutrina reformada.

Por orientação do então presidente da Assembleia Geral, a congregação encaminhou um documento respeitoso ao presbitério, solicitando a reversão da posse do missionário. A Assembleia, ao analisar o pedido, decidiu pela exclusão dos membros da ICPB com base no artigo 9, alínea 5 do Regimento Interno, sem oportunizar direito de defesa ou resposta ao documento enviado.

Mesmo após novo pedido de esclarecimentos, não houve resposta formal por parte do Conselho ou Presbitério. Estranhamente, a ICPP autorizou o missionário a iniciar um novo trabalho presbiteriano em Braga, na mesma freguesia, sob o nome de Primeira Igreja Cristã Presbiteriana de Braga.

Fonte: icpbraga.pt/historia

O abuso espiritual e religioso ocorre quando líderes se valem de sua posição de comando para manipular situações em nome de Deus. Dada sua gravidade e prejuízos para a paz, pureza e ordem da comunidade, o abuso espiritual e religioso é combatido expressamente pelo Código de Disciplina da IPB, um documento robusto e que existe há várias décadas.

A ICPP diz adotar o Código de Disciplina da IPB, mas essa afirmação não se confirma em nenhum dos episódios de abuso espiritual e religioso praticados sob a batuta de Manuel Luzia ("ave César") e seus aliados. A exclusão sumária de pessoas que ousam discordar dele e/ou de seus aliados, tem sido regra, por incrível que pareça, como visto no relato transcrito anteriormente, que é apenas um de tantos outros que iremos expor nos artigos seguintes.

Por mais de uma década, destacava-se como homem-forte da ICPP e braço direito de Manuel Luzia ("ave César"), o pastor-missionário brasileiro Celso Dias Alves, há mais de uma década à frente da Igreja Presbiteriana de Cristo (http://ipcristo.pt/Quem_Somos), no bairro nobre de Lisboa chamado Campo de Ourique:

"Reverendo" Celso Dias Alves — pastor-missionário brasileiro à frente da Igreja Presbiteriana de Cristo, em Campo de Ourique, Lisboa

Embora Celso Dias Alves não esteja mais no cargo de Secretário Executivo da ICPP, mantém toda influência e liderança sobre os demais missionários da APMT em solo português, agora em revezamento com Alan Carlos Gomes Moreira, Antonio Xavier da Silva e Wanderson Matheus dos Santos, todos pastores-missionários brasileiros sustentados por "igrejas parceiras" brasileiras.

Segundo minha equipe apurou, a propósito, Alan Carlos Gomes Moreira teve uma série de denúncias gravíssimas apresentadas contra ele arquivadas a partir da forte atuação do grupo em questão, em reunião realizada na cidade do Porto nos dias 19 e 20 de março, ou seja, aquela em que o presidente da APMT esteve como convidado de honra, e, no momento, está no Brasil passando "a sacola" de igreja em igreja, como se nada tivesse acontecido, e ainda "vendendo" a ideia de que tem feito grande progresso como missionário em terras portuguesas, apesar de a Igreja da Luz e das duas Congregações vinculadas a ela, sob a responsabilidade dele, nas cidades de Pombal e de Leiria, estarem em completo declínio, com a saída de mais de duas dezenas de famílias, exatamente pela forma como ele tem agido à frente dos trabalhos, seja em razão da truculência, seja pela falta de transparência ou práticas questionáveis na gestão dos recursos dos fieis, como apontado pela Comissão Revisora de Contas da Igreja da Luz, na Assembleia Ordinária realizada em 19 de abril de 2026, como demonstrei no artigo anterior.

Destaque-se que a instância disciplinar a que se submetem tais pastores-missionários brasileiros em solo português, é o presbitério da própria ICPP, um órgão colegiado onde o grupo de Manuel Luzia ("ave César") tem maioria de votos, age como "trator", atropelando os demais membros e usando das piores práticas políticas para fazer prevalecer sua vontade e manter os privilégios e posição de poder, inclusive arquivar qualquer pedido de apuração apresentado contra seus integrantes, como ocorrido em 19 e 20 de março de 2026.

Os presbitérios de origem desses pastores-missionários da APMT que estão em Portugal, localizados em diversas regiões do Brasil, até onde se tem conhecimento, nem fazem ideia das condutas erráticas praticadas em Portugal, e lhes devotam reverência e recursos financeiros para sustento, como se o fizessem a verdadeiros heróis, pelo suposto desprendimento em estarem em campo missionário, a despeito de as cidades turísticas onde estão em nada se assemelharem com o real significado dessa expressão.

Mais recentemente, segundo também me foi possível apurar, o grupo de pastores-missionários da ala Manuel Luzia ("ave César") tem conseguido recrutar presbíteros cuja inteligência parece não ir muito longe, como um tal Nuno Miguel Brazão Pinheiro, português que, sabe-se lá a que custo, foi promovido pelo czar a membro de três "Conselhos Provisórios", respectivamente na Igreja da Luz, na Igreja do Barreiro e na Igreja de Telheiras, sobre as quais teremos artigos específicos em breve. "Conselho Provisório", cabe relembrar, é o "jeitinho" usado pelo grupo para se manter no poder e evitar que as comunidades adquiram autonomia e tenham plena liberdade de decidirem o próprio futuro.

Foi com base nessa estrutura esquisita para os padrões presbiterianos tradicionais que, após o abuso espiritual e religioso ocorrido em Braga, relatado na transcrição acima, a APMT patrocinou uma nova Igreja em Braga, que passou a invocar a condição de Primeira Igreja Cristã Presbiteriana de Braga - ICP Braga, como se aquela anterior simplesmente não existisse.

À frente dessa nova Igreja Presbiteriana de Braga está o pastor-missionário brasileiro Wanderson Matheus dos Santos, amigo pessoal de mais de 30 anos do "reverendo" Roberto Brasileiro ("ave César"), Presidente da IPB, aquele mesmo pastor-missionário que conseguiu o "empréstimo" de 100 mil euros, ou algo em torno de 600 mil reais, em 2024-2025 para compra do imóvel onde a Igreja funciona atualmente, e que era um antigo restaurante.

Na prática, a turma que comete ou apoia o abuso espiritual e religioso em Portugal foi "premiada" pela IPB, com um mimo que dificilmente as igrejas filiadas brasileiras conseguiriam nas mesmas condições.

Duvida? Então pergunte aos líderes de sua igreja presbiteriana no Brasil, vinculados à IPB, se eles teriam acesso ao generoso valor de 600 mil reais para comprar um imóvel para a igreja, sem prazo para pagamento e sem qualquer obrigação específica a título de contrapartida, como foi o caso.

A foto abaixo, mostra os reverendos Manuel Luzia ("ave César"), Wanderson Matheus dos Santos, Roberto Brasileiro ("ave César") e Celso Dias Alves (com o microfone) na inauguração da "nova" Primeira Igreja Cristã Presbiteriana de Braga, extraída do vídeo disponível no YouTube (https://www.youtube.com/live/u0ZuUpw2rZY?si=HdMBYr5W-sOuiyNz):

Reverendos Manuel Luzia, Wanderson Matheus dos Santos, Roberto Brasileiro e Celso Dias na inauguração da nova Igreja de Braga
Reverendos Manuel Luzia ("Ave César"), Wanderson, Roberto Brasileiro ("Ave César" novamente) e Celso Dias, na inauguração da "nova" Igreja de Braga, a do mimo de 100 mil Euros ou 600 mil reais

Haja silêncio, haja complacência e haja vergonha para a IPB, uma denominação cuja seriedade e bom testemunho têm atravessado mais de um século e agora se vê submetida a esse tipo de situação.

Em breve, cenas do próximo capítulo, como diríamos antigamente, nos tempos das novelas daquela emissora do "plim plim" ou "spoiler", como dizem os mais novos.

terça-feira, 9 de junho de 2026


"Mamata" Transcultural Missionária

 


Como o suor de doadores brasileiros financia uma casta eclesiástica na Europa, com direito a bônus para lideranças, nepotismo cruzado e triangulação bancária!

Enquanto milhares de fiéis em igrejas locais no Brasil se mobilizam mensalmente para recolher dízimos e ofertas voluntárias, abrindo mão de recursos preciosos em prol da "obra missionária na Europa", os bastidores eclesiásticos em solo português revelam uma realidade bem menos sacrificial.

Sob o manto da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), o que deveria ser um esforço de evangelização transformou-se, em solo português, em uma engrenagem de manutenção de poder, clientelismo e privilégios.

O "modus operandi"

Em consulta simples ao site da APMT e missionários alocados na Europa, constata-se diversos casais e seus “projetos pessoais”, tais como aqueles encabeçados pelos “reverendos” Celso Dias (Lisboa), Antônio Xavier (Grande Lisboa), Wanderson Matheus dos Santos (Braga), Dantas (Aveiro), Alan Moreira (Lisboa) e Denilson (Évora).

O que eles têm e divulgam em comum?

Descrições vagas sobre ações evangelísticas para “plantar igrejas”, “revitalizar igrejas” e “alcançar o povo português”.   

A partir desses “projetos pessoais”, “abençoados” pela APMT, esses missionários rodam o Brasil em busca de recursos de “Igrejas parceiras” que possam contribuir para mantê-los em Portugal por ciclos de três anos.

Uma vez em Portugal, o que eles fazem efetivamente possui enorme contraste com o que se conhece como “obra missionária”.

O que seria prestação de contas, são cartas enviadas a cada três meses, permeadas de sentimentalismo e de fotos de atividades corriqueiras de igrejas frequentadas quase que totalmente apenas por brasileiros.

Os tais projetos recebem o aval da denominação equivalente à Igreja Presbiteriana do Brasil, que em Portugal é chamada Igreja Cristã Presbiteriana de Portugal (ICPP) em convênio entre as duas instituições que já dura 23 anos.

Tem início, então, algo que se afasta totalmente da seriedade histórica do modelo presbiteriano e da própria higidez administrativa da IPB, com os mesmos “reverendos” citados acima organizando-se em “Conselhos Provisórios”, para manter posições de prestígio e poder, com a única condição de jurar lealdade e serviço incondicional ao presidente da ICPP, Manuel Luzia, conhecido nos bastidores como o czar do sistema, ou seja, titular de um poder absoluto ou de grande influência, e ao seu fiel escudeiro, o também português “reverendo” Paulo Jorge, ambos referidos como imperadores do sistema, pela alcunha “pastores portugueses” (“ave César”).

 O caso da Igreja Cristã Presbiteriana da Luz e do Projeto Oikos127

O que há anos eram apenas relatos de bastidores, de suspeitas de desvios financeiros e de escândalos abafados, ganha agora contornos factuais e incontestáveis.

 Liderada pelo “reverendo” Alan Moreira, oriundo da Igreja Presbiteriana do Pina, em Recife, a “Igreja da Luz”, como é comumente chamada, fica em Benfica, bairro do famoso “Estádio da Luz”, e área nobre de Lisboa, onde ele também mora, há quase uma década.

A Igreja teve antes como seu pastor o “reverendo” Celso Dias, e desde 2017 tem sido conduzida pelo aliado de primeira hora Alan Moreira, que juntamente com o chefe da denominação (Manuel Luzia) compõem o Conselho Provisório de várias outras Igrejas Presbiterianas em Lisboa, e que atua como o que foi conhecido no Brasil como capitanias hereditárias e o período dos senhores feudais.

Curiosidade: A Igreja da Luz tem estado em “revitalização” todos esses anos, e o que se vê ano após ano, é o contrário: DEGRADAÇÃO, a ponto de a turma da “mamata transcultural” ter conseguido desorganizar duas gestões de presbíteros eleitos; a primeira vez em fevereiro de 2025, e a segunda vez em março de 2026, sob o silêncio cúmplice da instância superior, chamada Presbitério da ICPP, órgão máximo do sistema e que é sustentado pelos dízimos dos membros das Igrejas presbiterianas vinculadas à ICPP.

 Por falar em dízimos e ofertas missionárias, documentos internos da Comissão Revisora de Contas da Igreja Luz, apresentados na Assembleia Geral Ordinária realizada em 19 de abril de 2026, trouxeram à luz (sem trocadilhos) o que pode ser a verdadeira razão para um mesmo pastor brasileiro estar a tanto tempo como líder daquela comunidade.

São expostas as profundas fragilidades administrativas e o uso discricionário do dinheiro sagrado dos membros ofertas para prestigiar, dentre outros, justamente a casta de pastores da cúpula da ICPP.

 O "Mimo" de Mil Euros, Favorecimento Familiar, diárias em “resorts”, e carros de luxo

O relatório apresentado pelo órgão de fiscalização da Igreja, no item 4.5 (Aspectos Gerais de Governança), aponta categoricamente para a "ausência de critérios formais e objetivos para o direcionamento das ofertas".

O primeiro grande escândalo documental revela que a igreja local assumiu o compromisso de enviar uma oferta no valor de 1.000€ diretamente ao presidente do Presbitério da ICPP.

"Como exemplos, destacam-se: a oferta no valor de 1.000€ ao presidente do Presbitério (ICPP), bem como a escolha de dois missionários para recebimento de contribuições mensais (no valor de 350,00€ cada), sem definição de prazos para tais repasses."

O repasse direto de bonificações em euros à autoridade máxima do concílio, sem qualquer justificativa ou meta institucional, levanta o primeiro sinal de alerta sobre a existência de um "balcão de negócios". Para agravar o cenário de quebra de impessoalidade, o documento oficial ressalta o que se configura como nepotismo eclesiástico:

"Ressalta-se, ainda, que um dos missionários beneficiados [Ismael Pinta] possui vínculo familiar com o referido presidente do Presbitério. [filho]"

Na prática, dízimos e ofertas — inclusive os captados de brasileiros que muitas vezes vivem em condições econômicas inferiores às da classe média europeia — estão sendo redirecionadas indiretamente para subsidiar o padrão de vida de parentes do líder máximo da ICPP e seus aliados leais.

Esses fatos novos, entretanto, são apenas a progressão de outros ainda piores, que envolvem ofertas para que os pastores portugueses pudessem descansar em resorts, carros luxuosos, piso salarial de quase dois mil euros como barreira para evitar mudanças no sistema, dentre outros exemplos.

Triangulação Bancária e Assinaturas Copiadas

O controle familiar sobre os recursos financeiros da Igreja da Luz atinge seu ápice no item 2 do documento do órgão de fiscalização. Ali, descreve-se um arranjo financeiro que desafia as regras mais básicas de conformidade legal e fiscal, envolvendo as operações do Projeto Oikos 127 e outros braços missionários.

De acordo com o texto, parte dos repasses mensais de 350€ destinados o outro missionário na Sérvia, que goza da intimidade de Alan Moreira, sequer transitavam por sua conta bancária oficial, sob a alegação de "limitações técnicas e burocráticas". O dinheiro era operado por meio da conta de um terceiro: Stefan Vika.

Quem é o intermediário? A auditoria responde: Stefan Vika é genro do pastor à frente da Igreja, Alan Moreira.[Igrejas no Brasil] ──(Ofertas em R$)──> [APMT / Igreja da Luz]

A teia familiar não para por aí. Conforme o relatório:

“Acrescentamos que os recibos correspondentes são emitidos pela filha do presidente do Conselho e a assinatura do beneficiário não possui validade formal (sendo apenas uma imagem colada manualmente).”

A própria Comissão Revisora de Contas da Igreja da Luz conclui que a prática configura uma grave "fragilidade nos controles internos, especialmente quanto à autenticidade e adequada segregação de atividades".

Trata-se de um feudo administrativo: o sogro preside, o genro recebe o dinheiro na conta, a filha emite o recibo e o missionário figura no processo apenas com uma assinatura digital recortada e colada.

O Pacto de Lealdade e a adesão ostensiva dos Presidentes da APMT e da IPB

O funcionamento dessa estrutura ajuda a explicar por que determinados projetos missionários em Portugal se perpetuam por dez, quinze ou vinte anos em centros turísticos valorizados, como aqueles citados no início deste artigo, sem nunca alcançarem a emancipação financeira ou a eleição de pastores locais.

Para manter o status de "missionário na Europa", o livre fluxo de euros e o financiamento de habitações caras, instituiu-se o pacto lealdade.

Quem se submete politicamente à presidência da ICPP garante a blindagem de seus projetos e a validação de suas cartas missionárias perante a agência brasileira. Quem ousa questionar a falta de transparência é isolado ou sumariamente desligado, por “rebeldia”.

Do outro lado do Atlântico, constata-se que a APMT tem falhado gravemente em seu papel de fiscalização (accountability), o que se diz ter a ver com idêntica estrutura de poder instituída na IPB, em que seu presidente nomeia quem quer para os mais diversos e bem remunerados cargos-chave que lhe garantam influência, como é o da presidência da APMT, dentre muitos outros.

O Presidente da APMT, “reverendo” Amauri Oliveira inclusive, esteve pessoalmente presente na Assembleia Geral Ordinária da ICPP em 19 e 20 de março, na cidade do Porto, como convidado de honra de ninguém menos do que o “reverendo” Manuel Luzia. Um mês antes, por coincidência, o próprio presidente da IPB, “reverendo” Roberto Brasileiro, também por lá esteve, emprestando sua nobre imagem a tudo isso:

 



Ao atuar como mera chanceladora institucional, permitindo que igrejas brasileiras enviem recursos no escuro, sem auditorias externas independentes nos campos receptores, a APMT torna-se solidária na perpetuação dessa mamata transcultural missionária.

As evidências formais da Igreja da Luz provam que os argumentos da "frieza espiritual da Europa", “plantação e revitalização de igrejas” e de “alcançar o povo português” têm sido usados como cortina de fumaça para esconder o favorecimento pessoal de muitos dos missionários da APMT em Portugal.

Como pode uma instituição centenária como a IPB, e a APMT se vincularem a esse tipo de situação que tanto denigre suas imagens e o trabalho sério de dezenas de missionários mundo à fora?

Fizemos essa mesma pergunta aos “reverendos” Roberto Brasileiro e Amauri Oliveira, mas nos foi dado o silêncio como resposta.

O canal segue aberto.

Em breve, cenas do próximo capítulo, como diríamos antigamente, nos tempos das novelas daquela emissora do “plim plim” ou “spoiler”, como dizem os mais novos.

 

 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Mau Testemunho Transcultural Apoiado Pela IPB

Neste ano, de 2026, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) comemora 167 anos e sua história é digna de reconhecimento pela seriedade com que se firmou enquanto uma das maiores denominações evangélicas brasileiras. Muitos presbiterianos, país à fora, se orgulham da estrutura diferenciada de governo da instituição, com múltiplas instâncias decisórias e um rígido processo disciplinar, que na teoria deveria ser suficiente para protegê-la da cobiça humana e do apego pelo poder que acompanha o homem desde os primórdios da civilização.

Missão Transcultural
Um olhar mais cuidadoso, todavia, revela que a IPB parece ter se perdido no tempo e adotado as mesmas práticas mundanas que muitos dos seus criticam. Assim, por exemplo, no que é conhecido no meio evangélico como “missão transcultural”, expressão normalmente associada à pregação do evangelho em países em que a fé cristã ainda é novidade e, por vezes, mal vista ou rejeitada. Em matéria de “missão transcultural”, um país tem inexplicavelmente recebido diferenciada atenção da IPB e da sua Agência Presbiteriana de Missões Transculturais: Portugal. Dezenas de casais ditos missionários vêm marcando presença e fincado o pé em cidades turísticas portuguesas, como Lisboa, Porto, Aveiro e Évora, para mencionar apenas algumas, elevando aquela nossa nação irmã ao mesmo patamar de países onde cristãos seguem sendo perseguidos e mortos ano após ano apenas por pregarem o evangelho, como é o caso da Nigéria e de tantos outros. O mais curioso é que quem paga essa conta missionária são dízimos e ofertas coletadas pela IPB nos mais longínquos recantos do Brasil, de Igrejas e congregações nitidamente carentes, ou seja, a IPB tem “tirado das pobres, para sustentar o luxo de alguns”. O Mau Testemunho. Desde 2025, tenho levantado dezenas e dezenas de informações e documentos, e o que se vê, apoiado pela IPB, é um exemplo de mau testemunho, que a Instituição dificilmente aceitaria aqui no Brasil. São exemplos de “pastores” que estão há vários anos em bairros de classe média-alta de Lisboa, como Benfica e Campo de Ourique, e que ganham o equivalente, em Euros, a quase ou mais de 20 mil reais. Em Braga, a cerca de 4 horas de Lisboa, há um outro caso em que se diz que o “pastor” ganha valores superiores a 30 mil reais mensais. Em todos esses exemplos, a coincidência é que o tal “sustento pastoral” é pago, em sua grande maioria, pelas pobres Igrejas brasileiras. O que esses “pastores” fazem de tão especial lá? Nada além do que os Pastores fazem por vocação e chamado, com o diferencial de que a cultura migratória impõe uma carga horária pastoral menor do que no Brasil, e que raramente igrejas presbiterianas têm culto fora do domingo pela manhã.



 O que há, de verdade, por trás das “missões”? 
 Como “vergonha pouca é bobagem”, segundo o ditado popular, o “mau testemunho” transcultural tem sido prestigiado pessoalmente pelos digníssimos Presidentes da IPB e da APMT, que por feliz coincidência se empenharam para a IPB “emprestar” 100 mil euros (ou aproximadamente 600 mil reais) para uma suposta Primeira Igreja Cristã Presbiteriana em Braga, que tem à frente um amigo pessoal, de mais de 30 anos, do Presidente da IPB. Para quem não acredita é só pesquisar na internet a respeito do restaurante que virou igreja e da presença do Presidente da IPB, em 13 de fevereiro de 2026, em Portugal; e do Presidente da APMT em 19 e 20 de março do mesmo ano. E há muitos e muitos outros episódios de “mau testemunho transcultural” que envergonham a IPB por aquelas bandas. Cenas dos próximos capítulos, como diríamos antigamente, nos tempos das novelas da emissora do “plim plim” ou “spoiler”, como dizem os mais novos.

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