segunda-feira, 15 de junho de 2026

 

Abuso Espiritual e Religioso em Igrejas Presbiterianas em Portugal

Silêncio complacente da APMT e vergonha para a IPB

No artigo anterior, mostrei como um pastor-missionário oriundo da Igreja Presbiteriana do Pina, em Recife, chamado Alan Carlos Gomes Moreira, tem agido em relação à gestão de recursos financeiros dos fiéis, na Igreja Cristã Presbiteriana da Luz, em Lisboa, e colocado os interesses pessoais e do grupo político que ele integra à frente dos próprios votos como ministro do evangelho.

O grupo político em questão é composto majoritariamente por pastores-missionários brasileiros, que em comum têm o fato de serem sustentados em terras portuguesas por "igrejas parceiras" brasileiras, com base em projetos pessoais "abençoados" pela Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT). Fazem parte da turma os pastores Antonio Xavier da Silva, Celso Dias Alves e Wanderson Matheus dos Santos, dentre outros, que formam uma espécie de tropa de choque do grupo, e têm em comum ainda a idolatria ao líder máximo da Igreja Cristã Presbiteriana de Portugal (ICPP)Manuel Luzia ("ave César") —, entidade que no país português equivale ao que a IPB representa no Brasil, ou seja, a cúpula do "sistema" presbiteriano.

Como lastro da parceria entre a IPB/APMT e a ICPP, há um convênio que já dura 23 anos, e que tem sugado muito, mas muito, muito mesmo, dinheiro das "igrejas parceiras" brasileiras, via chancela da APMT.

O Presidente da APMT, inclusive, "reverendo" Amauri Oliveira, assim como o Presidente da própria IPB, "reverendo" Roberto Brasileiro ("ave César") estiveram em Portugal nos meses de fevereiro e março de 2026, como "convidados de honra" da ICPP, ao que se sabe com as despesas pagas pela IPB, pois a ICPP não teria condições financeiras de bancar tais despesas.

A partir deste artigo, começarei a detalhar sucessivos episódios de abuso espiritual e religioso ocorridos na ICPP, sob a mão de ferro do seu "czar" Manuel Luzia ("ave César"), com o apoio incondicional dos aliados pastores-missionários da APMT, e o silêncio cúmplice dos demais integrantes do Presbitério, de cujas igrejas saem a maior parte dos recursos que financiam o "sistema", mais especificamente dízimos e ofertas, sendo as principais a Igreja Presbiteriana Pedras Vivas, na cidade do Porto, e a Primeira Igreja Cristã Presbiteriana de Braga, na cidade de Braga.

Muitos desses episódios de abuso espiritual e religioso estão disponíveis na internet ou são conhecidos na rede de Igrejas da ICPP.

Vamos ao caso deste artigo, segundo o relato das próprias vítimas, disponível no site https://www.icpbraga.pt/historia:

A Igreja Presbiteriana de Braga

Início do trabalho em Braga

A Igreja Presbiteriana de Braga — sendo a primeira igreja presbiteriana e reformada na cidade e Distrito de Braga, região do Minho — é o resultado do trabalho iniciado pela família Almeida em sua residência no ano de 2016.

Após cinco anos vivendo em Braga e tendo constatado a ausência de uma igreja reformada e confessional no Distrito, a família Almeida deu início ao trabalho de implantação de uma igreja de confissão presbiteriana no dia 15 de janeiro de 2017, ainda em sua residência, na freguesia de Lamaçães. O objetivo era estabelecer uma igreja local, com futura vinculação a uma denominação presbiteriana histórica e confessional.

O Sr. Almeida iniciou as pregações, expondo a carta de Paulo aos Efésios, alternando com o pastor Alexandre Martins, que pregava no livro do profeta Malaquias.

Filiação à ICPP

Inicialmente participavam das reuniões regularmente as famílias Almeida e Martins e, ocasionalmente, visitantes. Após um ano e três meses, as duas famílias tornaram-se membros da Igreja Cristã Presbiteriana Manancial de Paços de Ferreira (ICPMPF), e o ponto de pregação em Braga passou a estar oficialmente filiado à Igreja Cristã Presbiteriana de Portugal (ICPP).

A partir do dia 11 de março de 2018, os cultos foram realizados na sala 28 da Rua de Caires, 328, em Maximinos, Braga. Naquele dia, a Palavra de Deus foi pregada em Efésios 2:1-2 pelo irmão Heraldo Almeida, que continuou designado pelo Conselho da ICPMPF como evangelista e pregador responsável pela congregação.

Desligamento da ICPP

No ano em que a Congregação de Braga completaria quatro anos de existência, e mesmo tendo histórico de elogios do Conselho da ICPMPF pelo trabalho fiel e próspero realizado, um fato inesperado e inusitado ocorreu.

No dia 6 de janeiro de 2022, a Assembleia Geral da ICPP decidiu, de forma sumária e arbitrária, desvincular a Igreja Cristã Presbiteriana de Braga (ICPB) da denominação. A comunicação oficial foi feita por e-mail, no dia 10 de janeiro, através do Conselho da ICPMPF.

A decisão ocorreu após a congregação de Braga ouvir, por meio de representantes fiéis, o missionário indicado para assumir o pastorado local. Ao perceberem inclinações pentecostais, desconhecimento do princípio regulador do culto e abertura à pregação por mulheres, e preocupados com o desvio dos princípios bíblicos e confessionais, os membros manifestaram preocupação com o desalinhamento à doutrina reformada.

Por orientação do então presidente da Assembleia Geral, a congregação encaminhou um documento respeitoso ao presbitério, solicitando a reversão da posse do missionário. A Assembleia, ao analisar o pedido, decidiu pela exclusão dos membros da ICPB com base no artigo 9, alínea 5 do Regimento Interno, sem oportunizar direito de defesa ou resposta ao documento enviado.

Mesmo após novo pedido de esclarecimentos, não houve resposta formal por parte do Conselho ou Presbitério. Estranhamente, a ICPP autorizou o missionário a iniciar um novo trabalho presbiteriano em Braga, na mesma freguesia, sob o nome de Primeira Igreja Cristã Presbiteriana de Braga.

Fonte: icpbraga.pt/historia

O abuso espiritual e religioso ocorre quando líderes se valem de sua posição de comando para manipular situações em nome de Deus. Dada sua gravidade e prejuízos para a paz, pureza e ordem da comunidade, o abuso espiritual e religioso é combatido expressamente pelo Código de Disciplina da IPB, um documento robusto e que existe há várias décadas.

A ICPP diz adotar o Código de Disciplina da IPB, mas essa afirmação não se confirma em nenhum dos episódios de abuso espiritual e religioso praticados sob a batuta de Manuel Luzia ("ave César") e seus aliados. A exclusão sumária de pessoas que ousam discordar dele e/ou de seus aliados, tem sido regra, por incrível que pareça, como visto no relato transcrito anteriormente, que é apenas um de tantos outros que iremos expor nos artigos seguintes.

Por mais de uma década, destacava-se como homem-forte da ICPP e braço direito de Manuel Luzia ("ave César"), o pastor-missionário brasileiro Celso Dias Alves, há mais de uma década à frente da Igreja Presbiteriana de Cristo (http://ipcristo.pt/Quem_Somos), no bairro nobre de Lisboa chamado Campo de Ourique:

"Reverendo" Celso Dias Alves — pastor-missionário brasileiro à frente da Igreja Presbiteriana de Cristo, em Campo de Ourique, Lisboa

Embora Celso Dias Alves não esteja mais no cargo de Secretário Executivo da ICPP, mantém toda influência e liderança sobre os demais missionários da APMT em solo português, agora em revezamento com Alan Carlos Gomes Moreira, Antonio Xavier da Silva e Wanderson Matheus dos Santos, todos pastores-missionários brasileiros sustentados por "igrejas parceiras" brasileiras.

Segundo minha equipe apurou, a propósito, Alan Carlos Gomes Moreira teve uma série de denúncias gravíssimas apresentadas contra ele arquivadas a partir da forte atuação do grupo em questão, em reunião realizada na cidade do Porto nos dias 19 e 20 de março, ou seja, aquela em que o presidente da APMT esteve como convidado de honra, e, no momento, está no Brasil passando "a sacola" de igreja em igreja, como se nada tivesse acontecido, e ainda "vendendo" a ideia de que tem feito grande progresso como missionário em terras portuguesas, apesar de a Igreja da Luz e das duas Congregações vinculadas a ela, sob a responsabilidade dele, nas cidades de Pombal e de Leiria, estarem em completo declínio, com a saída de mais de duas dezenas de famílias, exatamente pela forma como ele tem agido à frente dos trabalhos, seja em razão da truculência, seja pela falta de transparência ou práticas questionáveis na gestão dos recursos dos fieis, como apontado pela Comissão Revisora de Contas da Igreja da Luz, na Assembleia Ordinária realizada em 19 de abril de 2026, como demonstrei no artigo anterior.

Destaque-se que a instância disciplinar a que se submetem tais pastores-missionários brasileiros em solo português, é o presbitério da própria ICPP, um órgão colegiado onde o grupo de Manuel Luzia ("ave César") tem maioria de votos, age como "trator", atropelando os demais membros e usando das piores práticas políticas para fazer prevalecer sua vontade e manter os privilégios e posição de poder, inclusive arquivar qualquer pedido de apuração apresentado contra seus integrantes, como ocorrido em 19 e 20 de março de 2026.

Os presbitérios de origem desses pastores-missionários da APMT que estão em Portugal, localizados em diversas regiões do Brasil, até onde se tem conhecimento, nem fazem ideia das condutas erráticas praticadas em Portugal, e lhes devotam reverência e recursos financeiros para sustento, como se o fizessem a verdadeiros heróis, pelo suposto desprendimento em estarem em campo missionário, a despeito de as cidades turísticas onde estão em nada se assemelharem com o real significado dessa expressão.

Mais recentemente, segundo também me foi possível apurar, o grupo de pastores-missionários da ala Manuel Luzia ("ave César") tem conseguido recrutar presbíteros cuja inteligência parece não ir muito longe, como um tal Nuno Miguel Brazão Pinheiro, português que, sabe-se lá a que custo, foi promovido pelo czar a membro de três "Conselhos Provisórios", respectivamente na Igreja da Luz, na Igreja do Barreiro e na Igreja de Telheiras, sobre as quais teremos artigos específicos em breve. "Conselho Provisório", cabe relembrar, é o "jeitinho" usado pelo grupo para se manter no poder e evitar que as comunidades adquiram autonomia e tenham plena liberdade de decidirem o próprio futuro.

Foi com base nessa estrutura esquisita para os padrões presbiterianos tradicionais que, após o abuso espiritual e religioso ocorrido em Braga, relatado na transcrição acima, a APMT patrocinou uma nova Igreja em Braga, que passou a invocar a condição de Primeira Igreja Cristã Presbiteriana de Braga - ICP Braga, como se aquela anterior simplesmente não existisse.

À frente dessa nova Igreja Presbiteriana de Braga está o pastor-missionário brasileiro Wanderson Matheus dos Santos, amigo pessoal de mais de 30 anos do "reverendo" Roberto Brasileiro ("ave César"), Presidente da IPB, aquele mesmo pastor-missionário que conseguiu o "empréstimo" de 100 mil euros, ou algo em torno de 600 mil reais, em 2024-2025 para compra do imóvel onde a Igreja funciona atualmente, e que era um antigo restaurante.

Na prática, a turma que comete ou apoia o abuso espiritual e religioso em Portugal foi "premiada" pela IPB, com um mimo que dificilmente as igrejas filiadas brasileiras conseguiriam nas mesmas condições.

Duvida? Então pergunte aos líderes de sua igreja presbiteriana no Brasil, vinculados à IPB, se eles teriam acesso ao generoso valor de 600 mil reais para comprar um imóvel para a igreja, sem prazo para pagamento e sem qualquer obrigação específica a título de contrapartida, como foi o caso.

A foto abaixo, mostra os reverendos Manuel Luzia ("ave César"), Wanderson Matheus dos Santos, Roberto Brasileiro ("ave César") e Celso Dias Alves (com o microfone) na inauguração da "nova" Primeira Igreja Cristã Presbiteriana de Braga, extraída do vídeo disponível no YouTube (https://www.youtube.com/live/u0ZuUpw2rZY?si=HdMBYr5W-sOuiyNz):

Reverendos Manuel Luzia, Wanderson Matheus dos Santos, Roberto Brasileiro e Celso Dias na inauguração da nova Igreja de Braga
Reverendos Manuel Luzia ("Ave César"), Wanderson, Roberto Brasileiro ("Ave César" novamente) e Celso Dias, na inauguração da "nova" Igreja de Braga, a do mimo de 100 mil Euros ou 600 mil reais

Haja silêncio, haja complacência e haja vergonha para a IPB, uma denominação cuja seriedade e bom testemunho têm atravessado mais de um século e agora se vê submetida a esse tipo de situação.

Em breve, cenas do próximo capítulo, como diríamos antigamente, nos tempos das novelas daquela emissora do "plim plim" ou "spoiler", como dizem os mais novos.

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