terça-feira, 7 de julho de 2026

 Presbiterianos da IPB viram Batistas em Portugal!

 

O fenômeno surgido a partir do Convênio IPB-APMT-ICPP

 

ICP Telheiras

ICP Carnaxide

ICP Campo de Ourique

ICP Barreiro

ICP Luz

ICP Pedras Vivas

ICP Pombal

ICP Leiria

ICP Guimarães

ICP Braga (fake first)

...

 

HOSPEDEIROS E PARASITAS

O que uma coisa tem a ver com a outra?

 “pois…”, como dizem os portugueses!

 

Como jornalista investigativo e observador de assuntos políticos e religiosos, dentre outros, chamou minha atenção há alguns meses as frequentes notícias sobre a grande quantidade de brasileiros em Portugal. Passei a me interessar cada vez mais pelo assunto, embora nunca tenha me sentido atraído pelo modo como evangélicos atuam, tanto aqui, no Brasil, quanto lá, em Portugal. Olho de fora e o que vejo é um quadro confuso e mal pintado, em que todos invocam o Deus da Bíblia, mas na grande maioria, o que buscam efetivamente é poder, prestígio, influência, benesses de cargos, vida mansa, zona de conforto, e por aí à fora.

Ao estudar mais a fundo as diferentes denominações evangélicas, uma em especial passou a ocupar um triplex na minha cabeça, a PRESBITERIANA.

Do lado brasileiro, sua maior representante é a IPB - Igreja Presbiteriana do Brasil, cuja história é ao mesmo tempo digna de admiração, pela enorme contribuição com a criação de instituições de ensino no país, e ao mesmo tempo marcada por sucessivas divisões internas, que fizeram surgir outras siglas parecidas, como IPIB – Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (1903), IPC – Igreja Presbiteriana Conservadora (1940), IPFB – Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Brasil (1956), IPRB – Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil (1975) e a IPUB – Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (1983).

Na vertente portuguesa, há algo parecido, com a IEPP - Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, a mais antiga daquele país, que tal qual a IPB, tem uma história também digna de admiração, e também marcada por divisões internas, embora em menor extensão. A mais conhecida divisão interna na IEPP, fez surgir a ICPP - Igreja Cristã Presbiteriana de Portugal, e suas afiliadas, algumas das quais nomeadas no início deste texto.

 

Em minhas pesquisas de campo constatei que, em comum, há um elo que liga a IPB e a ICPP, um tal Convênio de 2003, que gerou uma via larga e prazerosa para “pastores-missionários” brasileiros passarem a morar em cidades turísticas portuguesas. Sim, cidades turísticas, cercados de privilégios e generosos salários, quase sempre formados por contribuições de igrejas parceiras brasileiras e por “ofertas” das comunidades locais portuguesas. Em alguns casos, que já tratei em artigos anteriores, pastores chegam a ganhar o equivalente a 20, 30 mil reais mensais, ou muito mais que isso.

Coincidência ou não, nas Igrejas desses “pastores-missionários” brasileiros da IPB/APMT que servem à ICPP lá em Portugal, foge-se de eleições para pastor e lideranças locais “como o diabo foge da cruz”, como diz o ditado popular.

No topo da denominação presbiteriana mais conservadora no Brasil e em Portugal, vê-se algo semelhante à Igreja Católica Apostólica Romana, pessoas que figuram como representante máximo da IPB e da ICPP por décadas, e ainda a se orgulharem disso, em que pese carregarem a marca da tradição presbiteriana, que tem no desapego ao poder centralizado e personificado sua maior distinção em relação às demais igrejas evangélicas. Os nomes são conhecidos e temidos no meio interno: Roberto Brasileiro e Manuel Luzia (“Ave Cézar” duas vezes)!

 

Dentre aqueles muitos brasileiros que foram para Portugal, há centenas que, no Brasil, frequentavam igrejas presbiterianas vinculadas à IPB, e que mesmo após anos lá em terras além-mar, nunca se desvincularam da condição de membro, ou seja, a IPB tem centenas de membros em Portugal. Conversei com muitos deles, e, curiosamente, o sentimento predominantemente é de que a imensa massa de brasileiros evangélicos da IPB que moram em Portugal não veem nada realmente parecido com a estrutura séria de governo que existe nas igrejas da IPB no Brasil. O relato comum é de desassistência espiritual, pois os “pastores-missionarios” da APMT têm como foco “alcançar o povo português” e, em sua maioria, idolatram o líder da ICPP (Manuel Luzia, “Ave César”) e o outro pastor português da denominação,  Paulo Jorge (esse último sem direito a “Ave Cesar”), desde um episódio, guardado a sete chaves, que resultou na desilusão de grande parte dos membros da ICP Carnaxide há poucos anos, e fez com que ela passasse a ter menos de 10 membros, apesar de estar situada em área nobre de Lisboa.

 

O generoso salário fixo pago a esse pastor da ICP Carnaxide, da ordem de 2 mil euros em média, por mês, ou algo próximo a 12 mil reais, que vem a ser o que chamam de mínimo ou piso da denominação, é atualmente fonte de frequentes embates internos, encabeçados pela ala mais séria de pastores da ICPP, que tem no pastor Leonardo Campanha, da ICP Pedras Vivas seu maior expoente, e, coincidentemente, o único eleito a presidir um Conselho de Presbíteros também eleito pela comunidade, embora sem força política para fazer frente ao domínio de Manuel Luzia.

 Como resultado dessa situação, o que se vê é que dezenas daqueles brasileiros que eram de igrejas vinculadas à IPB no Brasil, hoje estão frequentando Igrejas Batistas.

 Isso mesmo, e por mais estranho que pareça para um presbiteriano típico, segundo pude constatar, os presbiterianos então membros da IPB quando moravam no Brasil, se veem obrigados a frequentar as muitas Igrejas Batistas em Portugal, por não enxergarem a seriedade e a legitimidade do modelo presbiteriano nas igrejas da ICPP, apesar de na sua grande maioria serem conduzidas por “pastores-missionários” brasileiros da IPB.

O que se diz, inclusive, é que esses mesmos “pastores-missionários” dificilmente seriam mantidos como lideranças em igrejas brasileiras, e que não têm a coragem suficiente para irem para campos missionários carentes, no Brasil ou em outros países do mundo não evangelizados, e, por isso, se unem em torno de Manuel Luzia e Paulo Jorge, como garantia de manutenção nas mais celebradas cidades turísticas de Portugal.

 E justamente nesse ponto é que cabe a comparação do sistema religioso IPB-APMT-ICPP, com a Biologia, na vertente “Parasitas e Hospedeiros”.

Há uma diferença essencial entre servir uma comunidade de fé e viver dela. A primeira realidade pertence ao campo da vocação. A segunda, ao campo da captura institucional. O problema começa quando as duas coisas passam a ser deliberadamente confundidas: quem é sustentado pelo sistema apresenta-se como voluntário; quem depende da boa-fé coletiva fala como se estivesse apenas “servindo”; quem ocupa lugares de influência por anos, décadas ou gerações apresenta a própria permanência como sinal de fidelidade, quando muitas vezes ela revela apenas domínio político sobre estruturas que deveriam ser espirituais.

O presbiterianismo, em tese, foi concebido para impedir personalismos. Conselhos, presbitérios, sínodos e concílios existem precisamente para diluir o poder, submeter ministros e presbíteros a escrutínio mútuo e impedir que a igreja seja propriedade de indivíduos ou grupos. Na IPB, por exemplo, o Supremo Concílio é formalmente a assembleia magna composta por deputados eleitos pelos presbitérios e órgão de unidade de toda a denominação. A própria estrutura oficial pressupõe concílios, jurisdição, governo, disciplina e documentos normativos.

Em Portugal, as comunidades presbiterianas também se apresentam sob linguagem reformada, confessional e eclesial, com vida comunitária, culto, tradição e estruturas próprias.

O problema, portanto, não está na existência da estrutura, mas sim na sua colonização

A relação entre parasita e hospedeiro ajuda a compreender esse fenómeno com uma precisão desconfortável.

Na biologia, o parasita não destrói imediatamente o hospedeiro. Se o fizer, perde a fonte da própria sobrevivência. A sua inteligência instintiva está em retirar o suficiente para se manter vivo, mas não tanto a ponto de provocar colapso imediato. O parasita adapta-se ao corpo que ocupa, aprende os seus ritmos, explora as suas defesas e, em certos casos, manipula o comportamento do hospedeiro em benefício próprio.

Em estruturas religiosas, o mesmo padrão pode ocorrer de forma social, simbólica e financeira. O hospedeiro é a comunidade: os membros simples, as famílias que ofertam, os voluntários que limpam, ensinam, cantam, visitam, transportam, evangelizam e sustentam a vida real da igreja.

O parasita institucional é o grupo que aprende a converter essa energia espiritual em permanência no poder, influência informal, capital reputacional, remuneração direta ou indireta, cargos, viagens, visibilidade, controle de púlpitos, acesso a redes e capacidade de decidir quem entra, quem sobe, quem é silenciado e quem será tratado como ameaça.

O discurso público é quase sempre o mesmo: “fazemos tudo por vocação”; “a obra é de Deus”; “ninguém está aqui por interesse”; “é tudo voluntário”; “estamos apenas a servir”. Mas, quando se observa o fluxo real de benefícios, a narrativa começa a perder inocência.

Há sempre alguém a financiar e alguém a ser financiado. Há sempre quem dê sem retorno institucional e quem receba em forma de salário, prebenda, influência, autoridade, visibilidade ou proteção.

Nem todo sustento ministerial é parasitário, evidentemente

Uma igreja que sustenta com transparência os seus pastores age dentro de uma lógica legítima. O problema surge quando o sustento se esconde atrás da retórica do sacrifício, quando a dependência econômica se apresenta como espiritualidade e quando a prestação de contas é substituída por apelos à confiança.

O parasitismo religioso raramente se anuncia como ganância. Ele prefere a gramática da piedade. Não diz “quero permanecer no topo”; diz “Deus ainda me conserva aqui”. Não diz “não quero perder influência”; diz “é preciso preservar a unidade”. Não diz “não admito fiscalização”; diz “não podemos escandalizar o Evangelho”. Não diz “este sistema sustenta os meus interesses”; diz “não toqueis nos ungidos do Senhor”.

A manipulação é eficaz porque usa palavras santas para blindar comportamentos profanos. O ponto crítico é a assimetria moral. O membro comum é ensinado a servir sem esperar reconhecimento. O líder instalado, por sua vez, espera deferência, proteção, continuidade e, em muitos casos, remuneração. O voluntariado é exigido da base; a estabilidade é reservada ao topo. A renúncia é pregada aos que ofertam; a preservação de privilégios é praticada pelos que governam. A comunidade aprende a chamar de “sacrifício” aquilo que entrega, enquanto certos dirigentes chamam de “sustento legítimo” aquilo que recebem.

O parasita institucional depende de três condições: memória curta, culpa moral e medo de ruptura. A memória curta impede que a comunidade compare promessas antigas com resultados concretos. A culpa moral faz com que qualquer questionamento pareça rebeldia. O medo de ruptura mantém pessoas lúcidas em silêncio, porque elas não querem “dividir a igreja”.

Assim, o sistema aprende que basta acusar o crítico de falta de amor, falta de submissão ou falta de espiritualidade para neutralizar perguntas legítimas.

Essa é uma das formas mais eficientes de abuso institucional: transformar lucidez em pecado

Há ainda uma camada mais sutil. Em muitas comunidades, quem financia o sistema não tem verdadeira voz sobre ele. O membro oferta, trabalha, comparece, educa filhos na tradição, sustenta eventos, mantém templos, legitima estatísticas e dá corpo à denominação. Mas, quando pretende discutir prioridades, finanças, critérios de liderança, sucessão, disciplina ou transparência, é tratado como rebelde ou insurgente.

O hospedeiro sustenta o organismo, mas não controla o organismo que vive dele

Essa inversão é o núcleo do problema. A igreja local vira base eleitoral. O voluntário vira mão de obra gratuita. A contribuição financeira vira combustível para máquinas pouco auditáveis. A confiança pastoral vira capital político. A espiritualidade da membresia vira cobertura moral para uma elite que se apresenta como serva enquanto opera como classe dirigente.

A comparação com parasitas é um ataque à fé cristã nem ao presbiterianismo enquanto tradição. A crítica é aqui feita porque a tradição presbiteriana, quando levada a sério, contém anticorpos contra esse tipo de captura. Governo colegiado, pluralidade de presbíteros, disciplina, concílios, escrutínio doutrinário, deliberação formal e responsabilidade mútua existem exatamente para impedir que o carisma pessoal, o sobrenome, a rede de favores ou o controlo financeiro substituam a fidelidade bíblica.

O problema é que anticorpos institucionais também podem ser neutralizados. Basta que os mesmos grupos controlem nomeações, comissões, candidaturas, relatórios, púlpitos, narrativas e processos disciplinares. Quando isso acontece, a forma continua presbiteriana, mas a substância aproxima-se de uma oligarquia religiosa. Há atas, concílios, eleições e regimentos; mas a previsibilidade dos resultados denuncia que o sistema já foi domesticado.

O público externo tende a imaginar que o risco maior das instituições religiosas está em escândalos visíveis: dinheiro desviado, abuso sexual, enriquecimento ostensivo, manipulação eleitoral explícita. Esses casos existem e precisam ser tratados com dureza. Mas a forma mais persistente de parasitismo costuma ser mais discreta: a perpetuação de estruturas que abusam da pureza espiritual e boa-fé das pessoas.

O parasita não precisa roubar o cofre para capturar a igreja; basta controlar a agenda, os temas que podem ser discutidos, quais perguntas são inconvenientes, quais pessoas são “problemáticas”, quais relatórios são apresentados, quais dados são omitidos, quais conflitos são tratados nos bastidores, quais líderes serão protegidos e quais dissidentes serão isolados.

O “poder” não se revela apenas em quem assina cheques, mas em quem define o que a comunidade pode ou não saber.

O teste moral é simples: quem recebe do sistema aceita ser fiscalizado pelo sistema? Quem fala em vocação aceita abrir números, critérios, benefícios, conflitos de interesse e mecanismos de sucessão? Quem pede confiança aceita auditoria? Quem invoca unidade aceita contraditório? Quem exige submissão aceita disciplina? Quem se apresenta como servo aceita perder cargo sem destruir pessoas à sua volta?

Se a resposta for não, já não estamos no campo da vocação. A boa doutrina pode ser usada como ornamento por maus operadores. A tradição pode ser usada como escudo. A piedade pode ser convertida em ferramenta de controle. E a boa-fé dos simples pode tornar-se o mais valioso ativo de quem aprendeu a viver no topo sem prestar contas à base.

Nem todo discurso de serviço é serviço. Nem toda estabilidade é fidelidade. Nem toda unanimidade é paz. Nem toda ausência de conflito é saúde. Às vezes, a paz institucional é apenas o silêncio do hospedeiro enfraquecido.

A cura começa quando a comunidade recupera o direito de fazer perguntas sem ser culpabilizada. Quanto custa manter a estrutura? Quem é remunerado direta ou indiretamente? Que benefícios existem além do salário formal? Quem decide? Quem fiscaliza? Quem pode discordar? Como se dá a sucessão?

Quais são os critérios objetivos para cargos, comissões, púlpitos, bolsas, viagens, nomeações e representações? O que acontece quando alguém denuncia abuso de poder? Quem protege o denunciante?

Onde essas perguntas são recebidas como ameaça, há algo errado

A verdadeira vocação não teme a luz. O serviço genuíno não precisa de neblina. A autoridade espiritual legítima não se ofende com a prestação de contas. Quando líderes religiosos usam a boa-fé alheia como alimento político, financeiro ou simbólico, deixam de atuar como pastores e passam a comportar-se como organismos de extração.

Como me disseram algumas das pessoas com quem conversei em Portugal, “ainda bem que temos as Igrejas Batistas aqui para não ficarmos totalmente isolados. Ainda que algumas nos exijam ser novamente catequizados e batizados, pelo menos conseguimos ver seriedade e fidelidade bíblica, e não idolatria disfarçada de presbiterianismo”.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  Presbiterianos da IPB viram Batistas em Portugal!   O fenômeno surgido a partir do Convênio IPB-APMT-ICPP   ICP Telheiras ICP Ca...